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TROCANDO IDEIAS
O uso de palavras estrangeiras nas práticas de linguagem é um fenômeno comum em todas as sociedades
que estão em contato umas com as outras. As mútuas influências linguísticas entre os sujeitos de sociedades
que falam diferentes línguas podem ocorrer em função de diferentes fatores. Um desses fatores é a maneira
como cada falante individualmente encara o uso do léxico estrangeiro nas interações cotidianas.
Por exemplo, as pessoas podem usar palavras estrangeiras como marca de identidade, de estilo, ou ainda,
para ironizar, satiririzar determinadas identidades e estilos. Por outro lado, o uso de palavras estrangeiras,
por exemplo, também está relacionado a fatores sociais mais amplos, ou seja, a processos de legitimação de
determinados espaços ou práticas sociais. Assim, o uso de palavras de uma língua muito valorizada no mercado
linguístico em determinados espaços (como o uso da palavra “sale” nos shopping centers) é uma estratégia que
parece ter como objetivo “colar” o alto valor da língua inglesa ao espaço e aos sujeitos que nele circulam e vice-versa.
Por isso, acredito que o uso de estrangeirismos não é nem fundamental nem dispensável.
É apenas mais um processo comum resultante dos contatos entre sujeitos de diferentes línguas, culturas e sociedades.
(Anna Christina Bentes, Doutora em Linguística. Professora do Departamento de Linguística da Universidade Estadual de
Campinas. Atua nas áreas de Sociolinguística e de Linguística Textual).
Não podemos imaginar uma língua com um léxico que não seja aberto a inovações. Novas experiências no mundo surgem,
e essas experiências precisam ser nomeadas. Uma das formas de garantir o aspecto dinâmico do léxico é utilizar empréstimos
linguísticos, isto é, empregar termos de outras línguas que possam nomear experiências da nossa vivência social, histórica
e cultural. Os estrangeirismos se inserem nesse processo de empréstimo. Atualmente, muito se discute sobre empréstimos
na língua portuguesa, principalmente aqueles que ainda se encontram nas formas linguísticas das línguas originais,
o que chamamos de estrangeirismos. Os estrangeirismos são elementos lexicais adotados pela língua por conta da necessidade
de nomear algo ou uma experiência que ainda não puderam ser designados por palavras disponíveis na própria língua.
Esses estrangeirismos podem ser absorvidos e com o tempo se acomodam à estrutura da língua que o adotou. Não podemos ter
uma visão que coloque estrangeirismos como uma espécie de "praga" que deve ser combatida. A presença desses elementos na
língua caracteriza a própria dinâmica do conjunto lexical, e deve ser compreendida dessa maneira. Sendo assim, as línguas
nomeiam e registram nossas formas de agir como elementos da sociedade e da história. Essas nossas ações são dinâmicas, e é
necessário que nossa língua também seja, da importância dos empréstimos linguísticos. (Ronaldo de Oliveira Batista,
Doutor em Linguística pela USP, é Professor de Língua Portuguesa e Linguística da Universidade Presbiteriana Mackenzie).
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